Discussão e motivo de piada em rodas de conversa entre amigos, as traduções de títulos de filmes são um assunto polêmico: os cinéfilos mais fervorosos acusam os departamentos de marketing de descaracterizarem o filme enquanto uma parcela – grande até – não tá nem aí. O fato é que o filme tem que ser vendido em poucas palavras para aquele cara que passa em frente ao cinema.
Quem não sabe como funciona o processo, peguei um trecho da revista Mundo Estranho que explica o esquema de tradução:
“Quem adapta o nome de filmes gringos para o mercado brasileiro é o departamento de marketing das distribuidoras. A primeira opção é a tradução literal. Por causa das expressões típicas de cada língua, porém, às vezes essa não é a melhor saída. Quando não rola traduzir ao pé da letra, o pessoal do marketing lê a sinopse, revê o trailer e, quando dá, assiste ao filme antes da estreia. O título deve se adequar ao gênero – comédia, drama etc. – e ao público-alvo do filme. Depois de bolar vários títulos, alguns são apresentados ao departamento comercial e à diretoria, que aprovam ou fazem sugestões ‘da pesada’.”
O perigo encontra-se nessas sugestões. Atualmente acontece um fenômeno curioso em larga escala: como a indústria cinematográfica anda bebendo de alguns livros, os nomes destinados para o título traduzido das obras impressas (que chegam muito mais rápido no Brasil) acabam batizando a película, o que vejo como bom sinal já que uma mídia vende a outra. Em alguns casos a capa do livro é o pôster do filme. Um exemplo clássico é “O Poderoso Chefão”, cuja obra impressa chegou no Brasil com o título “O Chefão”. O “Poderoso” só Deus sabe de onde veio – provavelmente do mesmo lugar de onde surgiu “o Futuro” do Exterminador.
Analisando vários títulos, consegui separar processos existentes para tradução de filmes, seja para cinema ou direto em DVD (onde a corda é mais frouxa, digamos assim). Lembrando que nada disso abaixo é regra:
Traduzir literalmente: Poucos filmes tem a grata surpresa de serem traduzidos em sua forma original: Scott Pilgrim VS The World foi um deles. Já a série Harry Potter teve seu “Príncipe Mestiço” transformado num “Enigma”. O que importa aqui é se a conversão exata não atrapalha o entendimento do conceito do filme. Mas como explicar que o título “Para Wong-Foo, Obrigada por tudo! Julie Newmar” passou pela tradução exata? Eu, hein…
Coloco um subtítulo: Kick-Ass - Arrebentando Tudo, Sucker Punch - Mundo Surreal, Duets -vem cantar comigo, Grease – Nos tempos da Brilhantina, Footloose – Ritmo Louco… a lista é imensa. Muitas vezes isso acontece quanto alguma referência já existe do filme (os dois exemplos anteriores são HQs). No caso de biografias é imperativo ainda mais quando não são figuras tão conhecidas aqui e seus nomes assinam o filme: Erin Brokovich – uma Mulher de Talento, Milk – a Voz da Igualdade, e por aí vai.
Observar pelo Conceito: Existem vezes que não dá para vender com o nome original: Beverly Hills Cop não faz ninguém ir ao cinema, mas “Um Tira da Pesada” sim – tá o nome é horrível, mas cumpre o papel. Um pesadelo na Rua Elm até aguçaria a curiosidade, mas entrou na mania dos “A Hora” e tornou-se A Hora do Pesadelo (A Nightmare in Elm Street). Outros que evidenciam locais como Little Manhathan (ABC do Amor) são mais propensos a mudanças (tá, Filadelfia saiu com o nome do local, mas passou pela abrasileiração – o correto é Philadelphia). O Silêncio das Ovelhas – The Silence of Lambs - ficou mais claro com os “Inocentes”. Outros tentam acertar, como “A Origem”, que tem a ver com a…
Você já assistiu o filme? Isso é meio spoiler.
Voltando: que tem a ver com o surgimento da ideia do seu ponto principal (veja a parte “pense em elefantes” presente no filme). Já “Inception” seria a mistura de “concepção” mais “inserção”, ou seja, o roteirista (ou o criador da história) imaginou que o nome seria de uma idéia inserida na mente do indivíduo, mas este a aceita como sua originalmente. Doideira, mas o sentido seria por aí; resumindo: QUALQUER língua não se traduz, e sim, se entende.
Deixar MELHOR que o original: Convenhamos: “Tubarão” é bem melhor que “Mandíbulas” – tradução de Jaws – e “Se Beber não Case” desperta muito mais a curiosidade que “A Ressaca” – tradução do original The Hangover. existem momentos que o pessoal acerta, e temos que dar os méritos por isso. Os filmes de Western são bons exemplos: Três homens em Conflito (The Good, The Bad and the Ugly – O Bom, o Mau e o Feio), Meu Ódio será tua herança (The Wild Bunch - O Bando Selvagem), Bravura Indômita (True Grit – Real Cascalho). Porém há momentos em que o tiro sai pela culatra como Fúria de Titãs, que tinha o nome no original de Rise of Titans – Surgimento dos Titãs; agora o segundo, Whath of Titans, é a tradução exata de “Fúria de Titãs”. Solução: Fúria de Titãs 2.
Deixa quieto: Taxi Driver, Oldboy… o que aconteceu para os filmes passarem com os nomes originais? Oldboy é um bom exemplo, que é o nome de um grupo de colégio do protagonista. Alguns exemplos são: Rain Man, Tootsie, Gremlins entre outros.
Essa foi minha explanada nesse assunto controverso. Para quem quiser saber mais, recomendo a leitura desse artigo escrito por Andréa Moraes da Universidade Federal de Pernambuco sobre o mesmo tema.


















